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Você é a marca: o que significa vender o seu nome em 2025

Escrito por Leo Polo
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Você é a marca: o que significa vender o seu nome em 2025

Diga o que quiser sobre o KISS, mas uma coisa é certa: eles entenderam tudo sobre branding muito antes da maioria. Não eram só quatro caras fazendo música. Eles criaram uma ideia coletiva — “Demon”, “Star Child”, “Spaceman” e “Cat” viraram personagens com vida própria. Esses arquétipos eram maiores que os próprios integrantes. Eles podiam ser substituídos e ainda assim continuar vendendo de tudo: camisetas, bonecos, até caixões com a logo da banda.

Avançando pra hoje, os criadores estão se tornando marcas completas. E com isso, a pergunta deixa de ser “quem eu sou online?” pra virar algo maior: “quem eu sou como marca?” e “como essa marca pode viver além de mim?”

É real: já existe gente licenciando a própria risada pra ser usada por outras marcas. Criadores com clones de IA que tocam podcasts enquanto eles dormem. Avatares digitais gerando receita sem que a pessoa precise aparecer. Isso tudo muda a lógica: o nome de um criador deixa de ser só reputação. Vira propriedade intelectual.

Branding pessoal agora é negócio

Segundo dados da Clarivate, mais de 22 mil pessoas registraram seus próprios nomes como marca só em 2024 — um salto de 300% comparado a 2019.

Essa corrida por proteção de nome vem do fato de que TikTokers, youtubers e criadores em geral estão virando nomes conhecidos, com públicos fiéis. Então, garantir os direitos sobre o próprio nome não é só sobre vaidade ou ego. É uma forma de se proteger contra:

  • Impostores
  • Clones de IA
  • Parcerias enganosas
  • Quebra de contratos
  • Fraudes e deepfakes

Registrar o próprio nome como marca hoje significa garantir que você possa usá-lo pra vender produtos, lançar empresas derivadas, fechar colabs com outras marcas e até enfrentar legalmente quem tentar se aproveitar da sua imagem.

E num mundo onde qualquer um pode replicar sua voz ou rosto com IA, isso também vira uma camada de segurança digital.

Monetizar a própria imagem virou parte do jogo

A nova era da economia dos criadores inclui:

  • Clones de voz por IA
  • Licenciamento de imagem
  • Avatares digitais interativos
  • “Gêmeos digitais” que geram conteúdo automático

Ou seja, você nem precisa estar presente 24/7 pra manter o conteúdo rodando. Já tem criador usando sua voz clonada por IA pra fazer vídeos, responder comentários ou até apresentar lives — tudo isso sem nem abrir a câmera.

A cantora Grimes, por exemplo, liberou sua voz gerada por IA pra fãs criarem músicas originais. O acordo? Ela fica com 50% dos royalties de qualquer faixa lançada com sua “voz digital”. Esse tipo de colaboração escancara uma questão profunda: se o conteúdo foi feito por uma versão digital sua, ainda é você quem está criando?

Planejando sua presença digital pós-vida

Acredite ou não, já tem criadores montando um “testamento digital”. A ideia é garantir que, mesmo depois da morte, sua presença online continue ativa, rendendo dinheiro ou mantendo sua comunidade viva.

Como? Com bancos de dados recheados de vídeos, fotos, áudios, trechos de voz e comportamento que alimentam clones digitais prontos pra continuar a postar, interagir e até responder DMs — tudo via IA.

Empresas especializadas estão ajudando criadores a preparar:

  • Clones vocais
  • Scripts personalizados pra IA
  • Avatares interativos
  • Diretrizes de uso da imagem depois da morte

E tudo isso com cláusulas contratuais que determinam por quanto tempo e de que forma essa presença digital pode continuar existindo.

A ética da coisa

Mas calma, nem tudo são flores. Toda essa tecnologia levanta uma série de questionamentos éticos e emocionais.

Se seu rosto pode ser licenciado, sua voz clonada, sua personalidade digitalizada… o que ainda é só seu?

De acordo com o Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence, 62% dos consumidores que estão por dentro dessas tendências acreditam que sua presença online vai durar mais que sua vida física. E mais: eles querem ter controle sobre o que vai acontecer com essa “versão digital”.

A grande pergunta que fica é: até que ponto você é dono da sua imagem, se ela pode continuar existindo sem você?

E tem um lado positivo nisso tudo?

Apesar de parecer distópico, esse cenário também abre portas importantes — principalmente pra criadores com limitações físicas, doenças crônicas ou que enfrentam barreiras sociais.

Com IA e avatares digitais, essas pessoas conseguem manter uma presença ativa e até escalar sua produção de conteúdo sem sobrecarregar o corpo ou a mente. É um jeito de equilibrar a balança e dar mais acesso à economia criativa.

E lembra do KISS, lá do começo? Gene Simmons (o baixista) disse uma vez: “Não estou no ramo da música. Estou no ramo de licenciamento. O KISS é uma marca. Somos tipo a Coca-Cola. Você já sabe o que esperar.”

E eles estão levando isso a sério: a banda já está desenvolvendo um show com avatares de IA pra continuar tocando por gerações, mesmo depois que os membros originais não estiverem mais por aqui.

Pelo visto, eles vão mesmo “Rock and Roll All Night” e “Party Every Day” — pra sempre.

Publicado originalmente em: Apr 28, 2025, Atualizado: May 5, 2026
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