Lorran Souza Fotografia

Dezembro de 2009, dois dias antes do meu próprio casamento, conversando com um amigo que morava no Paraguai fui convencido a comprar uma câmera profissional. Não pense que ela era o ultimo modelo lançado, tão pouco nova… Isso mesmo, era uma câmera usada e importada do Japão. Na época não tinha as devidas condições, mas com tamanha insistência e com prestações a perder de vista acabei fechando negocio. Eu sempre admirava fotografia, adorava photoshop e era vidrado em tecnologias e novidades, mas nunca tinha me passado pela mente em ser fotógrafo. Chegado o dia do meu casamento com a Léia Sotile, levei minha câmera dentro de uma bolsinha feia que chegava dar dó, escondi de baixo da mesa dos noivos, e após a cerimônia, vi que estava tudo calmo e tranquilo, então comecei fotografar junto com o fotógrafo contratado. Ali peguei um certo gostinho pelo casamento e consequentemente no nosso álbum, foram impressas várias fotos que eu cliquei. Passado uma semana, recém casados, ambos sem emprego e com uma câmera para pagar, pensei, e agora o que vou fazer com essa câmera? Por sorte do destino em uma conversa de sorveteria, uma amiga nossa dizia que estava para fazer aniversário e que todo ano ela fazia um pequeno book para guardar de recordação. Aquele momento foi como uma luz de esperança, enchi o peito e disse: “Nós fazemos suas fotos se você quiser, estamos trabalhando com fotografia agora”. Assim consegui meu primeiro trabalho, mas lá no fundo eu pensava… “Estou ferrado, não entendo nada de fotografia e agora?” Cheguei em casa, abri o orkut e comecei a pesquisar referências e a estudar fotografia. Lembro que tinha menos de 5 dias para me preparar antes de fotografar uma pessoa pela primeira vez, mas graças a Deus, tudo correu perfeitamente e através do primeiro ensaio, a irmã da nossa amiga se interessou, depois o neto da vizinha, depois outro e assim foi… Já em janeiro de 2010, estávamos felizes, ja havia alguns ensaios fotográficos, começamos a divulgar, até que surgiu uma amiga da minha cunhada dizendo: “Vou casar e adorei as fotos que vi no orkut, quantos você cobra?” Novamente pensei… “Estou ferrado, e agora o que fazer? quanto cobrar? como cobrar? o que vou oferecer?” Estava perdidinho, então resolvi procurar ajuda com outros profissionais da área, porém não obtive sucesso. Para fazer o casamento eu precisava de um flash, para isso precisava de dinheiro, e para ter dinheiro eu precisava fotografar… O flash custava quatro vezes mais caro do que o valor cobrado no nosso primeiro casamento, mas eu precisava e tinha que passar por essa etapa a qualquer custo. Graças a Deus, que antes mesmo de chegar o casamento ja havia conseguido recuperar o investimento. Desde criança sempre tive muitos sonhos e um deles era de poder deixar algo que via de mim para outras pessoas e ser lembrado por isso. E ao entregar o material finalizado do nosso primeiro casamento, me emocionei com a reação da noiva e com a alegria que ela radiava. A partir desse momento pude ver que fotografar casamentos não era apenas um trabalho, mas uma missão divina que realizaria um dos meus sonhos. Descobri que deixar algo para as futuras gerações através de fotografias, preservar aquele instante marcante para os noivos, ver aquele sorriso verdadeiro milhares de vezes estampado na página do álbum, era muito mais valioso do que qualquer dinheiro. Com o passar do tempo, percebi precisava comprar mais uma câmera, assim a Léia podia começar a fotografar também, e juntos fomos nos especializando e cada vez mais amando fotografar casamentos…